
Grande figura humana, trabalhador incansável no sentido de que o Futebol Português se colocasse ao nível do que acontecia nos outros países da Europa, sobretudo nas suas vertentes organizativas, foi dignificado quando a Supertaça que põe frente a frente o vencedor do Campeonato com a Taça de Portugal passou a ter o seu nome. E agora só para os mais pacientes e curiosos, Portugal perdia em 1953 por 9-1 em Viena frente á Áustria num jogo de apuramento para o Mundial de 54 a realizar na Suiça. No dia seguinte no seu jornal A Bola, o primeiro grande mestre do futebol português escrevia o seguinte:
“O futebol nacional está longe, muito longe mesmo, de possuir uma categoria técnica idêntica á dos países mais progressivos. Valemos pouco, numa palavra, em confronto com os países de alta valia futebolística e, nomeadamente, em relação aqueles que no consenso geral marcham na vanguarda – Inglaterra, Alemanha, Áustria e Hungria, no velho continente; Argentina, Uruguai e Brasil, no outro lado do atlântico – do futebol mundial. E se valemos muito pouco em relação aos países mais progressivos, não valemos tanto quanto seria lógico se não fossem os entraves postos a um desenvolvimento que se ajustaria perfeitamente á simpática popular do futebol.
São necessidades do nosso futebol: instituição do profissionalismo; apetrechamento técnico desportivo; valorização das provas escolares; alargamento do campo no recrutamento de novos jogadores; cessação imediata da proibição dos jovens poderem jogar futebol antes dos 18 anos.”
Portugal contestava a humilhação da selecção nacional mas ninguém tinha coragem nem inteligência para fazer algo mais, e Cândido Oliveira fechava depois o artigo com criticas duras ao habitual choradinho nacional na altura das derrotas:
“Porque havemos de supor, quando vencemos, que somos os melhores do mundo, se quando perdemos não temos a menor serenidade diante do insucesso e nos entregamos com frequência ao desalento, ao queimar de impropérios, á vibrante indignação, quando seria muito mais simples e mais lógico e mais útil ter a curiosidade de conhecer os motivos da derrota e procurarmos encontrar as soluções óptimas para as tornar, não diremos inevitáveis mas menos possíveis?! “









